Preguiça de falar? – Por Patrícia Reis Ferreira

p1Escuto com frequência várias perguntas e comentários a respeito da fala e muitas vezes percebo que o conceito dos adultos em relação à fala da criança com dificuldade no desenvolvimento da linguagem, é errôneo. Por exemplo:

Minha criança sabe falar, mas nunca me conta sobre o que aconteceu na escola ou o que ela fez em algum passeio. Isso é preguiça, né?

NÃO! Contar sobre acontecimentos passados exige uma habilidade de abstração maior que falar sobre temas que estão acontecendo no momento, como por exemplo, sobre o brinquedo que está brincando ou sobre o que está comendo agora.

Na hora do aperto ele chama a mamãe, mas na hora que eu peço para falar, ele finge que não sabe! É preguiça, né?

NÃO! Para que a criança se comunique, precisa haver entre outros aspectos, intenção de se comunicar. E quando é o adulto que está pedindo para a criança falar, nem sempre o pequeno aprendiz tem interesse, ou seja, nesse momento a motivação para a fala é somente do adulto. É necessário desenvolver motivação na interação e subsequentemente motivação para se comunicar.

Ele já fala várias palavrinhas, mas quando peço para dizer por favor ou obrigado, ele se cala! É preguiça? ou falta de educação?

Nenhum do dois! Novamente a intenção aqui é do adulto! Para muitas crianças, as famosas palavrinhas mágicas não querem dizer muito ainda! Elas são usadas por uma exigência social, e no início do desenvolvimento das habilidades comunicativas esse aspecto não é compreendido sendo, portanto, palavras com pouco significado para a criança.

A fala é um processo mais complexo que se imagina, e apesar de muitas vezes não parecer, são necessárias várias habilidades para que ela ocorra. Siga as orientações de um fonoaudiólogo com experiência no desenvolvimento da linguagem para contribuir positivamente nesse processo!

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