Praxia no autismo – Ana Paula Ferreira Costa

O termo praxia refere-se à execução intencional de tarefas motoras que possuam significado. Ela requer funções cognitivas como ideação ou formação de um conceito, integração dos impulsos sensoriais e planejamento, que permitem a expressão motora (Ayres, 1985).

O sistema nervoso depende de informações sensoriais adequadas e eficientes para formular um plano de ação. Por exemplo, para chutar uma bola no alvo, a criança precisa da informação visual de onde está à bola e, também da informação da posição do seu corpo em relação à bola e ao espaço.

Assim, integração da informação sensorial do ambiente e do próprio corpo é necessária para a construção do planejamento motor, de como será feita a ação (Blanche, 2001).

Kools e Tweedie (1975) descrevem que o período de maturação da praxia ocorre durante o segundo ano de vida e progride até a aquisição quase total por volta dos cinco anos. Se a informação sensorial não é percebida e processada adequadamente, a criança terá dificuldade em planejar uma sequência de ações motoras eficientes e coordenadas, desenvolverem um repertório variado de brincadeiras e generalizar os movimentos aprendidos para outras tarefas. De acordo com a teoria de Integração Sensorial de Ayres ®, essa dificuldade na infância é conhecida como dispraxia do desenvolvimento.

No transtorno do espectro do autismo, a dispraxia comumente se apresenta como uma tendência a comportamentos restritos e repetitivos que levam à limitação do repertório de brincadeiras da criança e redução das oportunidades de interação social. Além disso, a dispraxia (Bodison, 2015) está relacionada à dificuldade na execução de gestos simbólicos, como dar “tchau” e nas ações imitativas, como imitar movimentos corporais. Problemas nessa área também podem interferir no desempenho de tarefas escolares e na execução de atividades de auto cuidado.

Uma avaliação criteriosa feita por um Terapeuta Ocupacional com certificação na abordagem de Integração Sensorial de Ayres ® é importante para o delineamento de um programa de intervenção completo e abrangente.

 

Referências Bibliográficas:

Ayres, Jean A. (1985). Developmental dyspraxia and adult onset apraxia: a lecture prepared for Sensory Integration International. USA.

Blanche, E.I., &Parham, L.D. (2001). Praxis and Organizations of Behavior in Time

and Space. In S.S.Holey, E. I. Blanche & R. C. Scaff, (Orgs).;Understanding the nature of sensory integration in diverse populations. (pp. 183 – 200). Texas: Pro-ed.

Bodison, S. C. (2015). Developmental dyspraxia and the play skills of children with autism. The American Journal of Occupational Therapy, vol.69, n.15.

Tweedie, D, Kools, J. A. (1975). Development of praxis in children: Perceptual and Motor Skills, 40:11-19.

 

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