Empatia no autismo: vamos investigar – Lucas Géo

Os autistas têm problemas com a empatia? Baixa, alta, diferente?

Esse tema freqüentemente é discutido nos consultórios gerando muitas dúvidas e angústias. Primeiro vamos a uma definição, empatia é a capacidade de se colocar e sentir a experiência do outro, seus sentimentos e emoções. É habilidade extremamente importante pra um bom convívio social, que nos liga às pessoas, animais, personagens, que nos faz importar com o outro.

O paciente com Transtorno do Espectro Autista aparenta dificuldade com essa habilidade e isso intriga os familiares, profissionais da saúde e cientistas. Um modelo interessante foi proposto por Simon Baron-Cohen, que propôs a teoria da empatia-sistematização, onde os cérebros poderiam ter perfis que teriam mais facilidade em um processo de empatia OU de sistematização, mas dificilmente as duas habilidades juntas em alta intensidade. Sistematização é a habilidade de enxergar a realidade de forma causal, racional, controlando variáveis pra se entender a lógica das coisas..

Segundo esse modelo o paciente com TEA teria um perfil cognitivo com alta carga de sistematização, porém com baixa carga de empatia. Vale destacar que a baixa habilidade em empatia não significa que o autista não a tenha, ou que seja baixa em si, mas que o funcionamento dela pode ficar alterado e confuso, provocando inclusive os casos de hiperempatia, onde o exagero empático pode gerar problemas de sofrimento pessoal e de convívio social.

Vale destacar que é uma teoria que tem suas controvérsias, mas que nos dá uma posição interessante para refletir sobre este estilo mental do TEA, que não só coloca um déficit ou prejuízo, mas um perfil, com vantagens e desvantagens na forma como o TEA entende o outro e o mundo.

Baron-Cohen, S. (2002). The extreme male brain theory of autism. Trends in Cognitive Sciences, 6, 248-254.

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