É um problema sensorial ou de comportamento? – Ana Paula Ferreira Costa

A linha divisória entre os aspectos sensoriais e comportamentais é tênue na maioria das vezes. E estabelecer a distinção entre esses dois aspectos é um dos maiores desafios enfrentados tanto por profissionais que trabalham com a população infantil como pelos pais de crianças com algum transtorno do desenvolvimento.

Nem todos os comportamentos negativos significam uma “crise sensorial” e nem todas as crianças com desafios comportamentais têm Transtorno de Processamento Sensorial. Então, como podemos fazer essa distinção?

A seguir estão listados alguns fatores a serem considerados quando confrontamos comportamentos desafiadores. Se a resposta às essas perguntas for “sim”, então os comportamentos provavelmente NÃO estão relacionados a dificuldades com o processamento sensorial.

  • O comportamento desaparece assim que a necessidade é satisfeita, ou seja, quando seu filho recebe o brinquedo que ele queria, ele imediatamente se acalma?
  • A sua criança está fazendo referência aos que estão ao redor dela, ou seja, ela olha para você enquanto estão fazendo o comportamento e / ou observam sua reação ao comportamento inapropriado?
  • A sua criança responde positivamente a limites firmes e às conseqüências de um comportamento negativo, como por exemplo; retirar um brinquedo diminui o comportamento de jogar o brinquedo longe; a implantação de uma rotina consistente para dormir antecipa a hora de dormir da criança?

 

MAS… se você responder “sim” às seguintes situações, significa que o processamento sensorial provavelmente influencia o comportamento da sua criança. Os “colapsos sensoriais” muitas vezes significam que ela:

  • Não responde a intervenções comportamentais típicas e consistentemente implementadas, como limites, conseqüências naturais ou impostas, raciocínio verbal, sistemas de recompensa, de incentivo ou influências sociais positivas entre pares.
  • Não muda seu comportamento imediatamente, mas em vez disso, o comportamento se dissipa lentamente ou a criança gradualmente se acalma e muda o comportamento à medida que os gatilhos são removidos e seu sistema nervoso lentamente se recupera do estado de excitação elevado.
  • Não presta atenção àqueles que estão à sua volta e nem modifica seu comportamento em função da resposta imediata de outra pessoa.

É possível que os desafios de comportamento e o colapso sensorial se sobreponham, porque os dois podem coexistir e a presença de transtorno de processamento sensorial não exclui a presença de problemas de comportamento. Todo comportamento tem uma causa antecedente e mesmo uma criança com desafios sensoriais são direcionadas a:

  • Evitar estímulos negativos.
  • Buscar estímulos sensoriais positivos necessários ao seu corpo e ao seu cérebro.
  • Controlar o ambiente. Controlar o ambiente também significa controlar as pessoas contidas nele. Tanto as crianças com quanto sem transtorno de processamento sensorial podem tentar manipular e controlar os outros para se sentirem no controle de si mesmos.

As crianças com transtornos de processamento sensorial podem até mesmo ser mais rígidas e controladoras, por estarem mais vulneráveis ao seu ambiente e, assim, se sentirem fora de controle a maior parte do tempo.

Portanto, duas coisas devem ser sempre consideradas:

  • Entenda os sinais sensoriais de sua criança.
  • Siga estratégias comportamentais positivas, para que você se certifique de que os comportamentos da criança não são causados por atitudes rígidas dos adultos à sua volta

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