Camuflagem e masking – Por Lucas Géo

autVocê conhece algum autista que “não tem cara de autista”? Essa é uma frase emblemática pra avaliarmos o fenômeno chamado de camuflagem ou masking. Alguns autistas que passaram por muitas dificuldades sociais ao longo da vida acabam desenvolvendo uma habilidade de esconder os seus traços mais visíveis do TEA.

Muitas vezes essa habilidade de se disfarçar de neurotípico envolve anular a sua identidade, seu jeito de ser e emular um personagem copiado de outras pessoas e situações vividas. Puxa vida, então essa pessoa autista é surpreendentemente um bom ator e sabe se virar melhor na vida, certo? Infelizmente não.

Os estudos apontam que existe um duro efeito colateral do uso dessa habilidade, a depressão e a ansiedade. Esse fenômeno é especialmente bem descrito no autismo em MULHERES, o que pode explicar parcialmente o porquê de muitas meninas acabarem não recebendo o diagnóstico e desenvolverem mais quadros de alteração de humor, com pior qualidade de vida.

Os achados colocam em xeque terapias que focam somente em treinos de habilidades sociais, que visam disfarçar os sinais autistas, como estereotipias, interesses “esquisitos” ou da construção de uma identidade que não lide com o diagnóstico.

Claro que na vida todo ser humano precisa se adaptar ao seu meio em algum nível, mas precisamos encontrar um equilíbrio que garanta que o autista se sinta validado existencialmente e não se veja como alguém que deveria se esconder e se anular.

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