Autismo e expressões faciais – Lorenzo Natale

Emoções como alegria, tristeza, raiva, medo, nojo e surpresa exercem ampla influência sobre a vida humana. Portanto, a habilidade de ler as emoções em si e nos outros e de expressá-las, é necessária para que a competência social e a autorregulação da conduta funcionem ao longo da vida. (Cecconello & Koller, 2000; Ribas, 2011).

Devido a importância das emoções para as relações humanas, a literatura destaca a necessidade de se estudar a capacidade de reconhecer as expressões emocionais faciais em indivíduos normais e com déficits de desenvolvimento. O autismo está entre as patologias em que a capacidade de expressar-se e de interagir emocionalmente está tipicamente alterada, logo, pacientes com autismo demonstram déficits de reconhecimento de faces e de expressões faciais (Assumpção, Farinha, Kuczynski, & Sprovieri, 1999; Orsati, Schwrtman, & Macedo, 2009).

Segundo Golarai, Grill-Spector e Reiss (2006) existem evidências de que o processamento de rostos está prejudicado no autismo. As principais anomalias encontradas são no processamento do olhar, na memória da identidade da face e de expressões faciais.

Indivíduos com autismo, segundo Klin, Jones, Schultz, Volkmar e Cohen (2002), quando comparados a indivíduos típicos, possuem mais dificuldade para detectar o olhar direto, fixam por menos tempo o olhar e fazem uma varredura errática da face, como ouvido, queixo ou cabelo, enquanto os controles seguem um padrão, traçando um triângulo entre os olhos, o nariz e a boca.

Os déficits relacionados à expressão e ao reconhecimento das emoções causam isolamento e prejuízos no funcionamento social dos autistas. Portanto, estes dados nos levam a refletir sobre a importância do desenvolvimento científico do estudo das emoções e tratamento dos pacientes.

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