Aspectos funcionais da linguagem como base para o trabalho fonoaudiológico – Stephanie Mariane

Sendo a aquisição da linguagem um processo complexo e revestido de subjetividade, é importante analisar os aspectos formais da linguagem, mas também os aspectos funcionais, comumente deixados de lado tanto nas avaliações quanto durante as intervenções. Abordando ambos aspectos é possível determinar o perfil comunicativo da criança, o que nos permite delinear os procedimentos de intervenção clínica mais adequados.

Dentre os aspectos funcionais deve-se considerar além da presença ou não das produções verbais da criança, os atos comunicativos (ou seja, o que a criança faz para estabelecer comunicação com seu parceiro), a intenção comunicativa, a atenção compartilhada, a iniciativa de comunicação, o uso das funções comunicativas,e o meio utilizado pela criança para se comunicar (vocal, gestual, verbal). Fazer uma análise qualitativa da ocupação do espaço comunicativo pela criança é indispensável.

Para uma avaliação minuciosa é importante que durante a anamnese e nas observações clínicas considerar-sedados relevantes sobre o desenvolvimento social da comunicação da criança sendo eles verbais e não verbais, pesquisar sobre a qualidade das manifestações comunicativas da criança, e também propor situações lúdicas para que a troca entre a criança e seu parceiro possa ser analisada também do ponto de vista funcional, já que valorizar apenas as regras, as formas linguísticas, e a produção verbal, pode nos levar a um processo terapêutico não efetivo, visto que isto pode comprometer seu planejamento terapêutico, e consequentemente dificultar atrabalhar o uso funcional da linguagem.

Sendo assim, quando uma criança é diagnosticada com alguma alteração na linguagem, sendo um atraso de fala, algum distúrbio de linguagem, ou por exemplo, uma apraxia de fala, faz-se necessário lembrar que a principal atuação do trabalho fonoaudiológico é na interação, e que em suas sessões de terapia deve-se considerar e interpretar os atos comunicativos das crianças sendo eles verbais, gestuais, vocais, mesmo que sejam ininteligíveis, dando a eles intenção, significado e forma. Cabe salientar, que será principalmente através de uma interação diádica(interação entre duas pessoas) que o fonoaudiólogo irá auxiliar na estruturação do uso funcional da linguagem, sendo essa a base para que sejam abordados os aspectos formais da linguagem, daí a importância de se considerar os aspectos funcionais.

Bibliografia

“ A intervenção fonoaudiológica nas alterações de linguaem infantil”- 2ª Edição- Jaime Luiz Zorzi.

“Avaliando a linguagem na ausência da Oralidade: estudos psicolinguísticos” – Simone Rocha Vasconcellos Hage.

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