10 Sinais de Alerta para Desordem de Processamento Sensorial – Ana Paula Ferreira Costa

Muitos pais e profissionais têm perguntado como identificar os sinais de problemas sensoriais nas crianças. A lista abaixo não inclui todos as dificuldades que a criança pode apresentar como resultado de alterações no processamento, mas abrange os sintomas mais frequentes de Desordem de Processamento Sensorial.

1 – Resistência em escovar os dentes, pentear o cabelo, cortar as unhas, lavar o cabelo e o corpo. Estamos falando de resistência SIGNIFICATIVA … ao ponto de levar os adultos a ter que segurar a criança para cortar unhas, o cabelo à criança, ou para tomar banho.

2 – Seletividade alimentar. Recusa acertas texturas de alimentos (lisos, crocantes, irregulares) ou resistência  a certos sabores / temperaturas. Novamente, estamos nos referindo a dificuldades bastante significativas com a alimentação, que interfiram na rotina  familiar e / ou na nutrição da criança. Pode haver criança que só quer comer alimentos crocantes (batatas fritas, biscoitos) ou não come alimentos com múltiplas texturas (manteiga ou sanduíche de geléia). Às vezes as crianças mostram uma tendência a querer apenas comidas de amido bege (batatas fritas, pão, bolachas). Outras crianças podem resistir a certas temperaturas (apenas querer comida à temperatura ambiente, NADA gelado).

3 – Extrema dificuldade em ficar com o rosto e com as mãos sujas durante atividades de alimentação e durante brincadeiras. É comum alguns pais dizerem “Quando ele suja a mão ao segurar um alimento, ele balança a mão e choraminga até que eu consiga limpar a mão dele”. Essas crianças também podem resistir em alimentos misturados ou com textura de purê.

4 – Resistência em brincar na areia, em passar loção na pele ou em vestir roupas de certos tipos de tecidos. Muitas vezes, as crianças com sensibilidade tátil aumentada ou defensividade tátil evitam atividades lúdicas com substâncias que permanecem em suas mãos. Estas atividades (pintura a dedo, jogo de areia, brincadeiras com creme de barbear) são atividades de “estímulo tátil leve” e o tato leve é o que as crianças têm mais dificuldade em interpretar corretamente.

5 – Reação de medo ao inclinar a cabeça para trás (ao trocar fraldas ou ao brincar no parque). Esses comportamentos podem ser indicadores de que as crianças não estão entendendo sua relação com a gravidade por causa de um mau processamento vestibular. Freqüentemente, essas crianças têm um histórico de dificuldades com as trocas de fraldas ou com enxaguar os cabelos na banheira, quando tem que inclinar a cabeça para trás.

6 – Reação de medo quando os pés ficam longe do chão (em brincadeiras no balanço ou andando sobre o meio fio).Esses são comportamentos que podem indicar que a criança não está processando corretamente a entrada do estímulo vestibular e tem dificuldade para interpretar a diferença de altura ao andar sobre um meio-fio a 10 centímetros do  chão ou sobre uma trave de equilíbrio a 1 metro de altura do chão.

7 – Escalar / pular / trombar com tal frequência que torne difícil pra criança se sentar adequadamente para completar uma brincadeira simples, própria para a idade. Esse pode ser aspecto muito difícil de ser avaliado, uma vez que se espera que as crianças pequenas ainda estejam aprendendo a se sentar e a se engajar em brincadeiras simples. Estamos nos referindo, nesse caso, àquela criança que busca tanto por movimento que torna difícil permanecer sentada durante uma atividade que dure de 1 a 2 minutos. É importante também observar se a criança tem dificuldade, por exemplo, em permanecer sentada à mesa durante a refeição, se chega a se debater com os familiares em locais públicos, ou se fica escalando e pulando excessivamente na mobília de casa.

8 – Busca excessiva por atividades que incluam movimento como girar e balançar. Esse tipo de comportamento pode indicar que a criança não está processando o estímulo vestibular de forma eficiente e, como resultado, precisa de movimento extra chegar a um nível de “saciedade “. Procuramos observar se são crianças que ficam girando em círculos, correndo pela sala ou pedalando um velotrol por horas.

9 – Os músculos parecem “frouxos” a ponto de dificultar a manutenção de uma postura ereta por um período de tempo mais prolongado. As crianças com alteração no processamento vestibular freqüentemente apresentam tônus ​​muscular mais baixo. Aqui se faz referência à criança com tônus ​​muscular muito baixo e que parece ter mobilidade articular excessiva.

10 – Dificuldades com transições do estado de alerta podem estar relacionadas a alterações de processamento sensorial. Às vezes, as crianças têm dificuldade de filtrar toda a informação sensorial que recebem do ambiente e de seu próprio corpo. Chamamos essa capacidade de regular o próprio nível de alerta de “modulação”. As crianças com dificuldade de modulação freqüentemente não conseguem se acalmar espontaneamente, têm acessos de raiva extremos, têm dificuldade para ir dormir ou para dormir por período de tempo mais prolongado e também em mudar de uma tarefa para a outra.

Nos casos que a criança apresenta mais de um desses comportamentos, é necessário buscar a avaliação de um Terapeuta Ocupacional certificado em Integração Sensorial para a traçar um plano de intervenção que inclui orientações aos pais e cuidadores.

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